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Posts Tagged ‘cigarro’

À doce senhora que encontrou meu blog por meio da busca “gostaria de fazer alguma coisa para que meu esposo pegase nojo do cigaro”, eu deixo aqui um diálogo que tive com um amigo, alguns anos atrás:

– Mas você quer mesmo parar de fumar?
– Claro!
– Me dá um cigarro desses aí.
– Como?
– Me dá um cigarro desses aí, eu disse.
– Mas pra que?
– Eu vou fazer xixi nele e deixar secar. Quando você não estiver olhando – pode ser hoje, pode ser qualquer dia desses – eu vou trocar o cigarro por um qualquer do seu maço. Você nunca, NUNCA vai saber qual é o premiado, e vai sempre pensar duas vezes antes de acender um que não seja de um maço novinho.
– Acho que não quero parar de fumar tanto assim.

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Bituca de bico

smoking

– Mas você fuma?

Ele me olhou como se estivéssemos em 1987 e eu tivesse dito que tinha AIDS. Até se afastou um pouco para trás. Medo de pegar, eu acho.

– Er, só de vez em quando. Quando dá nervoso, sabe? E na balada e pá e tal. Mas pode sossegar, eu não fumo perto de não-fumantes.

Ele me olhou como se eu tivesse dito que era só mais ou menos HIV positiva.
O resto do encontro, que estava indo bem até aquele minuto, foi um fiasco. Silêncios cortados por conversinha fiada sobre o tempo, a política, e “eu não acredito que você fuma, uma moça tão bonita…”. Dizia isso como se eu fosse uma dessas universitárias desencaminhadas que faz programa para pagar a faculdade. E, no final, disse que ia ligar, com a convicção e a insistência daqueles que sabem que não vão ligar nunca mais.

Tudo bem, sem grandes perdas. Era um fresco.

O que fode é que a lei anti-fumo veio institucionalizar a frescura. Vá lá, a gente tem que se respeitar, e eu sei que tem fumante sem-noção também. Mas do jeito que tá está ridículo. Comofas que não pode fumar em áreas externas só por que tem um toldo? E, a meio metro das mesas, fora do toldo, pode? Como se uma linha de tinta amarela desenhada no chão tivesse o mágico poder de fazer travar a fumaça.

Talvez seja exagero dizer que o fumante é o novo preto, mas que o preconceito tá foda, amigos, disso não se tenha dúvida. Pessoal não pode mais escutar o barulho de um isqueiro acendendo que já te olha feio. Aí você disfarça e diz que só estava queimando as pontas duplas do cabelo. Coisa mais natural, todo mundo faz. Tá olhando o que?
E as crianças? No meu tempo a gente comia cigarrinhos de chocolate fingindo que tava fumando e se achando o máximo, pô. Hoje em dia a molecada não tem o menor pudor de dizer, bem na sua frente: “Eca, que nojo! Detesto cigarro”. Vontade de dizer: “Dá o bracinho pra tia que eu vou te dar um bom motivo pra não gostar, seu peste”. Só não faço isso por que apaga o cigarro.
Eu nem pergunto mais, “pode fumar aqui?”. Fico na miúda, esperando e rezando que alguém acenda um cigarro, pra me dar a carta branca para acender também. Ou me retiro e vou fumar lá fora.
Convenhamos, é preciso admitir que, se tão pouco, a lei anti-fumo agora permite que a gente volte da balada sem cheiro de balada. Meu cabelo ressecado agradece, aquilo pra desgrudar era cruel. Xampu anti-resíduos no mínimo.
Mas não vão nos *cough cough* calar. Nossa voz – ainda que rouca e não muito alta, por que o fôlego não tá dando – será ouvida. Eu e meus amigos estamos organizando uma passeata de protesto. Curtinha, sem ladeiras.

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