Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘histórias semiverídicas’

Quem me ouve falando de dorgas o tempo todo pode pensar que eu sou uma junkie de marca maior, mas fora o abuso de álcool, os remédios de tarja preta e uma eventual cheiradinha de acetona, até que eu sou bem careta. Uma das coisas, por exemplo, que eu tenho PAVOR e provavelmente jamais tocarei na vida, são alucinógenos. Tenho um medo terrível de me perder no meu inconsciente. Imaginem vocês que essa semana eu já sonhei DUAS vezes com o Chávez?

chaves_foto

não esse chaves. o outro chávez.

Com esse tipo de personagem habitando meus sonhos, eu tenho muito medo do que encontrar nos recônditos da minha mente.

Pra vocês terem idéia, vou contar aqui um sonho real, da noite de domingo pra segunda. É claro que a memória vem enevoada e eu tive que adicionar uns floreios literários, mas a essência do sonho, como me lembro, é essa. Preparados?

flourish

Era brilhuz. As lesmolisas touvas… espera, não era isso. Era o casamento da Madonna. Pois é, da Madonna. E ela iria se casar no Brasil, no Museu Imperial lá em Petrópolis, e com o Jesus Luz. Eu estava emocionadíssima por ter sido convidada, mas não foi por ser amiga pessoal da Diva ou algo assim. Fui convidada por que era filha do Lula. Vai vendo. Uns dias antes da cerimônia, eu super ajudei a Madonna a escolher o vestido, um Valentino de seda vermelha com uma cauda enorme. Ela ia com uma maquiagem pesadíssima e o cabelo preso num coque com tranças atrás, estilo Evita.

evita

don't cry for me, argentina. don't you cry tonight.

E, num casamento tão importante, e com todo esse tema latino – noivo brasileiro, noiva isla bonita – quem é que você convidaria? Os presidentes todos da América Latina, evidente. No salão, entre as tietes, eu pude reconhecer a Cristina Kirchner, o Álvaro Uribe, o Manuel Zelaya, e a turma do fundão: Rafael Corrêa, Evo Morales e Hugo Chávez. E meu “pai”, claro. O Lula. Vai vendo.
A noiva, como qualquer noiva que valha o seu sal, atrasa. Começa o burburinho entre os convidados. Alguns ficam inquietos, estão com fome, quem foi o desinfeliz que marcou um casamento bem pra hora do almoço? E começam até a falar do vestido da noiva, que ninguém viu, que absurdo, vermelho. Os mais inquietos começam a deixar o local rumo à sala de banquetes. Os organizadores tentam controlar a zona, só mais um minutinho, galera, noiva atrasa, é normal.
Hugo Chávez se levanta e começa a protestar, que isso é um desrespeito às nações latinas, quero ver se o casamento fosse na Europa se isso ia acontecer, que isso pede intervenção internacional, que eu tou com fome, cacete. Correa e Morales se levantam e apóiam. Ameaçam ir embora. A coisa começa a ganhar ares de grande conflito diplomático, quando meu “pai” (o Lula, lembram), se levanta e tenta apaziguar: calma, companheiros, não é por aí.

Aí eu acordei sem saber se a terceira guerra mundial tinha sido provocada por uma noiva atrasada, quando tudo poderia ser resolvido com a gentil intervenção do rei da espanha.

porquenotcallas

¿por qué no te callas?

callas

¿me llamaran?

Anúncios

Read Full Post »

À doce senhora que encontrou meu blog por meio da busca “gostaria de fazer alguma coisa para que meu esposo pegase nojo do cigaro”, eu deixo aqui um diálogo que tive com um amigo, alguns anos atrás:

– Mas você quer mesmo parar de fumar?
– Claro!
– Me dá um cigarro desses aí.
– Como?
– Me dá um cigarro desses aí, eu disse.
– Mas pra que?
– Eu vou fazer xixi nele e deixar secar. Quando você não estiver olhando – pode ser hoje, pode ser qualquer dia desses – eu vou trocar o cigarro por um qualquer do seu maço. Você nunca, NUNCA vai saber qual é o premiado, e vai sempre pensar duas vezes antes de acender um que não seja de um maço novinho.
– Acho que não quero parar de fumar tanto assim.

Read Full Post »

Quando eu era criança, minhas tias diziam que a gente não podia ir à praia com brincos, pulseiras e tal, por que “Iemanjá leva”. É sabido que a deusa gosta de jóias e bijuterias, e não perde uma oportunidade de te fazer perder bem aquele colarzinho de conchas cafona que seu namorado escolheu com tanto carinho, ou convenientemente faz escorregar uma aliança pro fundo do mar justo quando aquele gato da prancha está olhando. Eu não pude testar muito a validade deste mito, por que da única vez em que entrei de brincos na água, o furo infeccionou e meus lóbulos ficaram do tamanho e da coloração de duas uvas red globe. Quase perdi foi a orelha, e não consta que Iemanjá goste de orelhas.

O que eu sei que o mar leva, sem nenhuma dúvida, são partes de biquíni mal amarradas. Aparentemente, Iemanjá gosta mesmo é de tirar um barato da nossa cara. Como quando a minha amiga L. perdeu o top do biquíni depois de uma onda mais forte. Levantou segurando os peitos, pra alegria da geral.

girlsgonewild

AEEEEEE! \o/

O pior, segundo L., foi ter que aguentar o namorado emburrado durante o resto do feriado inteiro, como se fosse culpa dela.

Eu tenho uma historinha pessoal envolvendo biquíns de lacinho e o mar bravio. Mas não foi com a parte de cima, não; bem pior, foi com a calcinha. Felizmente ou não, eu tinha só cinco anos: por um lado, o constrangimento foi bem menor, por outro, o trauma ficou pro resto da vida.
Estava brincando de pular as ondas meio no fundo – meio no fundo para uma criança de cinco anos, mind you, o que devia ser cerca de meio metro de profundidade. Numa das ondas eu só senti alguma coisa enroscando no meu pé, e me desenganchei dela. Foi só depois de pular e ficar de pé de novo que percebi que faltava alguma coisa, e que aquela coisa que eu pensei ser uma alga ou lixo talvez fosse minha calcinha. Aliás, é bem possível que alguém tenha visto a minha pobre bunda descoberta por meio segundo, antes que eu me desse conta.
Procurei desesperada pela minha calcinha, tateando com os pés no fundo e até me arriscando a abrir os olhos sob a água salgada e poluída da Praia Grande. Estava com medo de pedir ajuda às minhas tias e levar bronca, primeiro, por ter perdido a calcinha do único biquíni que eu tinha, e segundo, por que eu nem deveria estar tão fundo. Uns dez minutos de busca infrutífera pelo corpo, e eu comecei a berrar e chorar. Uma das tias me encontrou e eu contei o acontecido. Ela conseguiu uma camiseta emprestada de alguém e me levou de volta pra casa. No dia seguinte. ganhei um biquíni novo, dessa vez sem lacinho.

Desde então, eu sempre faço uma oração a Iemanjá antes de entrar no mar e levo um patuá costurado embaixo do biquíni. Aproveito que estou com agulha e linha na mão e dou uns dois pontinhos no lacinho, pra garantir.

Read Full Post »

Pra ser completamente sincera hoje eu não tava muito numas de escrever, mas aí, tem aquela promessa, né? Vinte e um dias, todo santo dia, etc. Então vou contar aqui um causo pra vocês, que me aconteceu alguns anos atrás lá em Barbac… em São Paulo mesmo.

Eu estava com uma turma, homens e mulheres, gente que eu tinha acabado de conhecer e alguns amigos de longa data. Era num parque ou algo assim. A gente estava de boa, rindo e jogando conversa fora, quando me bateu uma fominha, aquela fome das três da tarde.
Eu cavo na minha bolsa em busca de uma barrinha de cereal, que, tenho certeza, coloquei ali antes de sair. Sinto com os dedos o voluminho da embalagem, e a tiro de lá, erguendo no ar, de uma maneira que todo mundo vê…
… de uma maneira que todo mundo vê que não é uma barra de cereal. São camisinhas.

Geral começa a rir, claro. Eu poderia dar um risinho amarelo e guardar de volta as camisinhas na bolsa, como qualquer pessoa normal. Mas eu não sou uma pessoa normal. Eu sou Danieli Moreira. E o que Danieli Moreira, a prolixa, faria numa situação dessas? Discurso, evidente. Sigo pela linha de “não sei do que vocês estão rindo”, “todo mundo tem que ter”, “ainda bem que eu me cuido” etc. E finalizo com um “se eu ando com isso na bolsa é por que faço uso, tá?”, dando a entender que se vocês, seus LOSERS, não andam preparados e com camisinhas na bolsa, é por que seus genitais andam criando teias de aranha. E tudo isso agitando as camisinhas no ar, como um político do interior agita os punhos em seu discurso na pracinha.

Mal sabem eles que eu estou agitando o pacote no ar para que ninguém perceba que aquela é uma embalagem antiga, que a data de validade venceu, e que aquele pacote de camisinhas está naquela bolsa, sem uso, há bem mais tempo do que eu gostaria de lembrar.

Read Full Post »

– Arruma o teu quarto.
– q
– Arruma o teu quarto, JÁ, que a tia Amélia vem aqui amanhã
– Hã… bom dia?

Foi mais ou menos assim que eu fui acordada no sábado, às seis da matina. Antes ainda do café ou do bom-dia, mamãe me agraciou com uma lista de tarefas do tamanho da radial leste, pra deixar a casa pronta para a vistoria da tia Amélia.
Todo mundo tem uma tia Amélia, ainda que não se chame Amélia – a minha, por exemplo, não se chama, mas não vem ao caso. Tia Amélia tem a casa sempre limpa e arrumada, cheirando a desinfetante e a trabalho duro. Tia Amélia tem a geladeira cheia de comida boa e feita em casa, e faz questão de me empanturrar até a intoxicação quando vou visitá-la. Tia Amélia tem duas filhas mais ou menos da minha idade, ambas lindas, magras e bem casadas; uma, esposa de juiz, trabalha no setor público ganhando um salário de cinco dígitos; a outra mora em Miami com o marido, trabalha numa multinacional famosíssima na área de TI, e está esperando o primeiro filho. Pelo tom de voz de mamãe, e considerando as tarefas que me foram passadas, ela estava decidida a impressionar tia Amélia. Eu estava numa sinuca. Fui pega no meio do fogo cruzado de mais um episódio do Housewives Deathmatch.

housewife

Os leitores homens talvez estejam estranhando, mas tenho certeza que as amigas leitoras sabem do que eu estou falando. Entre mulheres, há sempre um clima de conflito não-declarado, uma competição, uma guerra fria. A gente sempre tem que ser uma profissional melhor, uma mãe mais dedicada, uma dona de casa ainda mais prendada, mais magra, mais linda e mais loira, e tudo isso em cima de um par de escarpins de salto agulha. Por vezes até menstruando. O mundo é um lugar muito hostil para quem nasceu com uma vagina.

desperate-housewives

Da minha parte, honestamente, estou pouco me fodendo. Mas se é importante para mamãe, o que é que eu podia fazer? Era ajudar ou aguentá-la jogando minha “ingratidão” na cara até o fim dos meus dias. Encarei a minha lista de tarefas, um item de cada vez.
O sábado foi todo em compras, limpezas e arrumações, com direito a mamãe de luvinhas brancas checando se estava tudo mesmo limpo. Ainda havia alguma coisa pra fazer, mas domingo, pela manhã, foi essencialmente dedicado a cozinhar. Fiquei encarregada de fazer a salada e uma sobremesa. Não podia ter chocolate, nem coco, e castanhas deixavam meu pai com azia. Pensei em pavê, mas sendo o meu tio a própria personificação do tiozinho do pavê, achei por bem pensar em outra coisa e preservar a minha sanidade de pelo menos um trocadilho infame. Decidi por uma mousse de limão; limão sempre foi território seguro na família Moreira, e essa receita específica foi testada umas quantas vezes. Para a salada, também fui pelo convencional: alface romana e tomate, não tinha como errar. Ou tinha?
Devia ser umas onze horas, e eu percebi que ainda não tinha tomado café. E ninguém teve a sensatez de comprar pão mais cedo. Nada de biscoitos, acabaram os sucrilhos. O que fazer?

– Mãe, vou dar uma colheradinha só nessa mousse pra aguentar até a hora do almoço.
– Nem pensar. Vai ficar feio.
– E esse bolo, posso abrir?
– É pro lanche da tarde. Sai de perto.
– Então posso… – Não. – E aquilo ali… – Não. – Mas esse… – Não.

Resignada, peguei um punhado de ração de gato e voltei para a senzala.

Tio e tia chegam no horário marcado. Vamos fazer sala. As perguntas de sempre.

– E então, Dani, vai casar quando?
– Nem namorando eu estou, tia.
– E como vai naquele emprego?
– Saí de lá faz tempo, tia.
– Já se formou?
– Larguei Letras há anos, tia. Estou prestando vestibular de novo.

Ela pergunta para que curso. Eu digo; o curso, aliás, um dos mais concorridos de uma universidade pública aqui de São Paulo. Ela entorta a boca em desprezo.

– E isso dá dinheiro?

Vamos, enfim, almoçar. Com a boca ocupada, a minha sanidade é poupada, eu pensei. Não consegui me livrar da tradicional infâmia do meu tio:

– Quem tá na ponta paga a conta!

dinner

Mamãe se desdobrou para forrar aquela mesa com travessas. O constrangimento dá lugar ao barulho de talheres roçando nos pratos, goladas de refrigerante e um eventual elogio. Estava tudo correndo bem, quando eu percebo ali, na salada, um verdinho em movimento. Uma lagarta, uma lagartinha milimetral, mimetizada, encontrava seu caminho por entre a alface.
Num golpe veloz, eu pinço a folha maculada, embrulho rapidamente numa trouxinha e a engulo. Peço perdão mentalmente ao deus das lagartinhas por ter dado um destino tão cruel à pobre criatura, condenada a morrer lentamente, corroída pelo ácido estomacal. A mãe olha, desconfiada.

– Mas você já não pegou salada, Dani?
– Tava afinz.

Escapamos ilesos até a sobremesa. Consigo fugir por uma hora ou duas, enquanto papai mostra ao tio os seis milhões de canais de TV que ele conseguiu no receptor de satélite pirata, e mamãe mostra à tia os seis mil casaquinhos de crochê que ela tem feito como trabalho voluntário. Desço para o gran finale, café com bolo. Tudo parece bem.
A tia se voluntaria para recolher a louça e jogar fora as migalhas.

– Que é isso, tia, nem precisa se incomodar.
– Não é incômodo nenhum, imagina.

A mãe parece preocupada. A tia volta da cozinha com um sorriso vitorioso no rosto. Mamãe cora e cala, continua calada até que as visitas se vão, e, calada, sobe para o quarto. Penso ouvir um soluço de choro.

Vou até a cozinha, dar jeito no que resta da louça, e descubro o motivo. Na lata de lixo, claramente visível sob as migalhas que a tia despejou, um pacote de mistura pré-preparada para bolo.

Nocaute.

Read Full Post »