Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘vergonha’

Quando eu era criança, minhas tias diziam que a gente não podia ir à praia com brincos, pulseiras e tal, por que “Iemanjá leva”. É sabido que a deusa gosta de jóias e bijuterias, e não perde uma oportunidade de te fazer perder bem aquele colarzinho de conchas cafona que seu namorado escolheu com tanto carinho, ou convenientemente faz escorregar uma aliança pro fundo do mar justo quando aquele gato da prancha está olhando. Eu não pude testar muito a validade deste mito, por que da única vez em que entrei de brincos na água, o furo infeccionou e meus lóbulos ficaram do tamanho e da coloração de duas uvas red globe. Quase perdi foi a orelha, e não consta que Iemanjá goste de orelhas.

O que eu sei que o mar leva, sem nenhuma dúvida, são partes de biquíni mal amarradas. Aparentemente, Iemanjá gosta mesmo é de tirar um barato da nossa cara. Como quando a minha amiga L. perdeu o top do biquíni depois de uma onda mais forte. Levantou segurando os peitos, pra alegria da geral.

girlsgonewild

AEEEEEE! \o/

O pior, segundo L., foi ter que aguentar o namorado emburrado durante o resto do feriado inteiro, como se fosse culpa dela.

Eu tenho uma historinha pessoal envolvendo biquíns de lacinho e o mar bravio. Mas não foi com a parte de cima, não; bem pior, foi com a calcinha. Felizmente ou não, eu tinha só cinco anos: por um lado, o constrangimento foi bem menor, por outro, o trauma ficou pro resto da vida.
Estava brincando de pular as ondas meio no fundo – meio no fundo para uma criança de cinco anos, mind you, o que devia ser cerca de meio metro de profundidade. Numa das ondas eu só senti alguma coisa enroscando no meu pé, e me desenganchei dela. Foi só depois de pular e ficar de pé de novo que percebi que faltava alguma coisa, e que aquela coisa que eu pensei ser uma alga ou lixo talvez fosse minha calcinha. Aliás, é bem possível que alguém tenha visto a minha pobre bunda descoberta por meio segundo, antes que eu me desse conta.
Procurei desesperada pela minha calcinha, tateando com os pés no fundo e até me arriscando a abrir os olhos sob a água salgada e poluída da Praia Grande. Estava com medo de pedir ajuda às minhas tias e levar bronca, primeiro, por ter perdido a calcinha do único biquíni que eu tinha, e segundo, por que eu nem deveria estar tão fundo. Uns dez minutos de busca infrutífera pelo corpo, e eu comecei a berrar e chorar. Uma das tias me encontrou e eu contei o acontecido. Ela conseguiu uma camiseta emprestada de alguém e me levou de volta pra casa. No dia seguinte. ganhei um biquíni novo, dessa vez sem lacinho.

Desde então, eu sempre faço uma oração a Iemanjá antes de entrar no mar e levo um patuá costurado embaixo do biquíni. Aproveito que estou com agulha e linha na mão e dou uns dois pontinhos no lacinho, pra garantir.

Read Full Post »